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17 de out | Jos Nivaldo Junior

NO APRENDEMOS NADA. MSCARAS VO SUMIR E APERTOS DE MO VO VOLTAR?

Os historiadores gostam de falar que quem no aprende com os prprios erros tende a repeti-los. Isso no o pior. Danado a humanidade no aprender sequer com os seus acertos. Se a pandemia trouxe algo de positivo foi educar a populao a usar mscara e higienizar as mos com frequncia e, o mais importante, evitar o tradicional aperto como cumprimento.
Os benefcios complementares so evidentes. Levante o dedo quem encontrou pessoas gripadas nos ltimos meses. Eu mesmo, este ano, no lembro de ningum. No, no cincia (ainda) caro Patrulheiro Toddy do conhecimento. empirismo. Por onde a cincia teve origem.

PEGOU

Como todo mundo sabe, tem coisas que pegam e coisas que no pegam. As mscaras pegaram, apesar de alguns inconvenientes e eventuais esquecimentos. Pois bem: os governos ao invs de aproveitarem o embalo e estimularem a permanncia do adereo at que ele se torne to normal como cuecas e calcinhas, entraram numa corrida alucinada para ver quem libera primeiro
o seu uso. Claro que nada deve ser imposto. Mas j que a pandemia ainda est causando estragos e o uso da mscara foi bem incorporado, por que no manter por mais tempo? E simultaneamente fazer uma campanha ampla e constante sobre os seus benefcios, at que as pessoas se convenam de que ganham mais usando mscaras do que roupas ntimas. Al desmoralizada OMS. Que tal comear a recuperar o conceito jogado na lata do lixo durante a pandemia, propondo e coordenando uma campanha mundial sobre isso?

MO AO ALTO

Li na revista "SERA?" desta semana artigo de Paulo Gustavo sobre o tema. Cita um livro recente, lanado na Inglaterra e ainda sem traduo no Brasil, de Ella Al-Shamani, biloga e paleoantroploga. ("The handshake, a gripping history"). Pelo resumo, a autora viajou na maionese. Delirou. Disse, sem qualquer suporte factual, que o aperto de mo vem de tempos imemoriais, da pr-histria. Conversa fiada. Quem j viu ndios esquims, mongis ou qualquer povo primitivo trocando apertos de mo? Onde Darwin, Engels ou o nosso Darcy Ribeiro, que estudaram sociedades primitivas, registram esse costume na pr-historia? O gesto antigo, mas no tanto. A evidncia mais distante da prtica, pesquisei no Google, vem da Assria, no sculo IX a C. Persistiu como um gesto de paz ou acerto entre governantes e pessoas importantes. S se popularizou no Ocidente a partir do sculo XVIII. No Oriente, no usado de jeito nenhum. Os orientais preferem o assptico "nemast", aquela simptica inclinao guardando distncia regulamentar.

AVISOS ANTES DA PANDEMIA

Sempre registro que, muitos anos atrs, o papa do colunismo no Nordeste, Joo Alberto, considerou "OUT" apertar mos em restaurante. Fez uma campanha para acabar com o pssimo hbito. Apesar da fora do DP, deu em nada.
Todo mundo sabe que os apertos de mos so grandes transmissores de doenas infecciosas.
Estudos cientficos ao longo do tempo mostram isso. Propem o fim do hbito. Ate agora, em vo At porque existe coisa mais mal educada do que deixar algum de mo estendida?

ADEUS, ADEUS

A fora do hbito no pode prevalecer sobre a sade pblica. A sade pblica no pode ser motivo para espezinhar liberdades individuais. Sou contra obrigar as pessoas em espao pblico a usarem qualquer proteo. Mas sou a favor da criao de regras e padres de higiene para quem lida com o pblico. Exemplo: a obrigatoriedade dos garons usarem o apetrecho to importante como a assptica das cozinhas. A manuteno do lcool em gel nos lugares onde est hoje. Coisas simples, avanos na convivncia civilizada. Aprender com os acertos. To simples. E to complexo para fazer.

EU MESMO

Daqui para diante, s aperto mo de cliente, caso ele estenda. E higienizo em seguida. Com bom humor, venho fazendo isso, com sucesso. Esta semana, uma autoridade estendeu a mo. Como estava com meu lcool, higienizei a minha antes de apertar a dele. O cara se tocou e estendeu a sua para higienizao prvia. No houve constrangimento.
Vou avisando com antecedncia: com ou sem pandemia, s pretendo frequentar estabelecimentos que disponibilizem lcool em gel, respeitem o distanciamento e os funcionrios usem mscara. Provavelmente mais uma guerra perdida, mas vamos a ela. Afinal, antes do coronavirus eu j tinha horror a gripe. E nessa idade, tenho que zelar pela sade. Minha meta viver mais que meu pai, que chegou aos 89.