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10 de jun | Jornal O Poder

ENTREVISTA

Entrevista com Mauricio Rands, advogado, ex-deputado federal pelo PT e ex-secretrio do Estado.

1. Como o senhor situa o Brasil, hoje, no cenrio internacional?
Um pas que se tornou um pria internacional. Que no levado a srio. Isolado. Sem influncia. Fora do roteiro da inovao tecnolgica e do investimento. Culpado por desmatar a maior reserva florestal do planeta. Submerso pela corrupo. Afundado pela prpria incapacidade. Essa tragdia aprofundou-se com Bolsonaro, mas j vem de antes. Nossa imagem, que j era pssima, piorou ainda mais por termos elegido um presidente tosco, ignorante, autoritrio e irresponsvel. Somos vistos como fatores de risco de uma terceira ou quarta onda de variantes dos vrus. Conquistamos o ttulo de um dos pases de pior gesto da pandemia. Camos no ridculo a ponto de termos virado objeto de piadas. Como ocorreu com aquele deputado gozando explicitamente da nossa incapacidade em plena sesso do parlamento francs.

2. Quais os principais erros que levaram o pas para o fundo do poo?
Tornamo-nos um pas sem um propsito. Tudo nos desune. Somos uma nao polarizada, dividida. Incapaz de dialogar para construir um projeto de desenvolvimento. O Estado est capturado por interesses privados. Ficou distante do povo, incapaz de prover os servios bsicos de sade, segurana, educao e moradia digna. Governos progressistas, assim como o atual de extrema-direita, no tiveram vontade poltica ou capacidade para realizar reformas estruturais indispensveis. Precisamos de um Estado mais eficiente, menos caro, menos burocrtico, menos apropriado por uns poucos. Um Estado que induza o desenvolvimento e a produtividade. Precisamos de um sistema poltico que no propicie a corrupo nem a apropriao dos recursos pelas burocracias partidrias. Precisamos de um ambiente econmico que favorea o investimento. Em suma, todas essas foras que nos governaram nas ltimas dcadas deixaram de fazer a reforma do Estado, da poltica e do ambiente econmico. E, sobretudo, deixaram de fazer uma revoluo educacionista com incluso digital, que seria a base de tudo. Haja miopia.

3. Esses erros poderiam ter sido evitados?
Penso que sim. Se tivssemos uma elite e uma classe mdia menos imediatistas, ignorantes e egostas. Se elas se aproximassem genuinamente do povo. Veja a resposta s manifestaes de julho de 2013, quando a juventude excluda da periferia saiu s ruas pra dizer que a ento alardeada incluso de 30 milhes era mera fantasia. Manifestaes que disseram com todas as letras o quanto elas se sentiam excludas em seus anseios de transporte, moradia, educao, sade e segurana. Todas as elites, de esquerda e de direita, ou no entenderam aquele recado, ou se fizeram de doidas. Ali j estavam em plena ebulio os descontentamentos que logo depois produziram a tragdia do bolsonarismo. Um brado de rejeio a tudo que eles conheciam. Pena que a opo por Bolsonaro foi ainda pior. O bolsonarismo muito mais um sintoma de uma sociedade adoecida e revoltada, cujos interesses foram, na prtica, negligenciados por aqueles que se arvoram a falar em seu nome.

4. O rumo (ou falta de) do Pas no cenrio internacional tem conserto a curto prazo?
Acho que poderamos dar uma guinada. As eleies de 2022 seriam um momento propcio. Poderamos tentar uma frente ampla democrtica com todas as foras para evitar a reeleio do bolsonarismo. Se tivssemos polticos da estatura de um Ulysses Guimares, poderamos tentar uma frente com alguns compromisso bsicos. O primeiro, o de que o eleito no se candidataria reeleio. Depois, a candidatura seria lanada com base em alguns objetivos estratgicos: i) pacificao do pas; ii) retomada do crescimento econmico com responsabilidade fiscal e combate desigualdade; iii) revoluo educacionista, com federalizao voluntria do ensino bsico; iv) revoluo digital inclusionria; v) combate corrupo e, v) desenvolvimento puxado pela economia verde. No necessariamente nessa formulao, mas nessa direo.

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